segunda-feira, 14 de julho de 2014

O verdadeiro teste pra cardíaco vem agora - Por Daniel Accioly



O Brasil vive a ressaca que sempre se sente após uma Copa do Mundo. A ressaca dessa vez parece mais intensa em função do mundial ter sido em terras tupiniquins, além da forma melancólica como o escrete nacional se despediu do torneio. Mas agora faltam poucos dias para nós alvinegros retornarmos à nossa depressão anual, que tanto adoramos: O Campeonato Brasileiro.

Durante a Copa, o clube não parou, e o resumo dos principais fatos vale ser citado para àqueles que só respiraram seleção brasileira. Logo nos primeiros dias de mundial, recebemos a notícia de que Yuri Mamute, revelação de 19 anos do Grêmio faria parte do elenco até o final do ano. Nome folclórico que já irrita de cara, mas nem por isso deixaremos de ter paciência com a aposta. Enquanto isso, o São Paulo tratava de mexer os pauzinhos para repatriar Kaká para reforçar o já intimidativo time. Apesar de não estar desempenhando entusiasmador futebol, Lodeiro deixou General Severiano rumo ao Corinthians. Lodeiro não resolvia nossa vida, mas quem entra no lugar dele? Enquanto isso, Risso e Sassá foram ganhar bagagem no Náutico.

E mais baixas foram ocorrendo, como foi o caso de Octávio, que foi emprestado para a Fiorentina (ITA) por um ano, com opção de compra por parte do time italiano por 2 milhões de euros, fortuna que certamente resolveria os problemas do clube (só que não). A segunda e última contratação do período foi a do jovem João Gabriel, vindo do Matonense. Enquanto isso, o Vasco anunciava Kléber Gladiador para reforçar o elenco para a Série B. Maicosuel foi novamente repatriado, dessa vez pelo Atlético-MG. Isso sem contar com a entrada em massa de jogadores estrangeiros no país no período, como os argentinos Héctor Canteros (Flamengo), Matias Rodriguez (Grêmio), Martin Luque (Internacional), Pablo Mouche e Fernando Tobio (Palmeiras), além do paraguaio Angel Romero (Corinthians).

Se formos falar da intertemporada, enquanto o Fluminense tomava uma sacolada da seleção italiana, o Atlético-MG ia para a China jogar uma bolinha contra times locais e vencer o Guangzhou Evergrande (campeão da Champions asiática), São Paulo ia estendendo sua marca e medindo forças contra times dos EUA, onde Cruzeiro também esteve, o Botafogo fazia seus ajustes em jogos-treino contra Madureira (derrota por 4x2), Artsul (vitória por 2x1) e São Gonçalo (vitória por 4x1). Espero com sinceridade que o Mancini tenha conseguido tirar bom proveito desses jogos, apesar da qualidade das equipes adversárias.

Uma das novidades boas que envolve uma aposta de risco, apesar de envolver um personagem de altíssimo nível, foi o anúncio de Wilson Gottardo como diretor de futebol do clube no lugar de Sidnei Loureiro. Gottardo possui muita identificação com o clube, mas vai ter que mostrar muita diplomacia em um cargo de alta politicagem. Sendo o ex-zagueiro um cara que sempre prezou a correção, devemos esperar para vermos se o sistema o vencerá ou um novo modelo administrativo vingará no clube. O clima político dentro do clube é intenso, e a insatisfação parece dar o tom das correntes internas. Maurício Assumpção sairá com o prestígio totalmente em baixa em seu final de mandato, provavelmente sem responder (de forma objetiva e honesta) as questões sobre o Engenhão e sobre o balanço do clube. Toda movimentação política dentro do clube é digna de atenção, sobretudo quando sabemos que José Rolim, Carlos Augusto Montenegro e Mauro Ney Palmeiro estão na área, os dois últimos desenhando uma nova frente. Sempre há carne para se roer no osso.

A Copa não parece ter sido abençoada para o Botafogo, não vimos o Jefferson ser prestigiado e ainda parece que retornaremos mais fracos para o restante do campeonato. Ah, e a última é que em função da impossibilidade de Jefferson jogar e pela aparente resistência de Renan em assumir o gol, iremos do jovem Andrey contra o Sport, em plena Ilha do Retiro. Haja coração!

sábado, 21 de junho de 2014

About Garrincha - Por Daniel Accioly



Nessa semana, o jogador holandês Van Persie, um dos destaques dessa edição da Copa do Mundo, revelou sua grande inspiração no futebol. Para quem esperava o trivial Pelé ou Maradona, ou mesmo os conterrâneos Cruyff, Van Basten ou Gullit, a revelação de que Garrincha rodeia a imaginação do craque do Manchester United causou surpresa. Persie declarou: “Eu assisti a um filme quando eu era adolescente sobre o Garrincha, e me inspirou muito a maneira como jogava. Era rápido, marcava grandes gols, fazia grandes cruzamentos. Foi uma inspiração entre jogadores brasileiros.”. Para nós, mesmo os que não puderam desfrutar da genialidade de Mané (como é meu caso), acho que não foi tão surpreendente assim. Porém, percebi uma certa consternação por parte dos sites e páginas no Facebook ligadas ao glorioso. Mané é marginalizado pelos que tem voz, tratado por alguns veículos como uma simples passagem histórica. Mas ainda bem que outros que possuem voz se manifestaram sobre esse gênio, ao longo dos tempos. Reuni abaixo alguns fragmentos, videos e citações de grandes craques e jornalistas sobre o nosso eterno camisa 7. Evidente que faltam muitas, mas a minha intenção é apenas proporcionar um aperitivo.

Garrincha: Depoimentos de Didi, Nilton Santos, Denner e outros:



Maradona: "Jamais alguém, além de Garrincha, precisou não de cinco mas de oito marcadores em simultãneo para evitar que destroçasse completamente a defesa adversária."

Jairzinho: "Eu adorava fazer gols e o Garrincha, o meu antecessor, era a minha referência. Ele marcava de letra, de perna esquerda, de livre, de cabeça, de todas as formas. Ser colega de equipa dele, no clube e na seleção, só pode ter sido uma bênção divina."

Seedorf: Craque holandês coloca Garrincha entre os maiores do mundo. Holandês diz que 'mais de mil pessoas' lhe contaram sobre o ídolo alvinegro.


Cruyff: Johan Cruyff montou seu time ideal em seu segundo livro, “Futebol, minha filosofia”.O time ideal de Cruyff tem  Yashin; Carlos Alberto, Beckenbauer e Krol; Guardiola, Bob Charlton, Keizer e Maradona; Di Stéfano, Pelé e Garrincha.

Gerson: O canhotinha de ouro fala sobre a genialidade de Garrincha.


Eusébio: “(...) houve um brasileiro melhor do que Pelé. Era Garrincha. Tinha a perna torta assim (indicando com o braço), e outra esticada normal. Como podia fazer aquilo tudo com essas dificuldades? Era um paralítico! E como jogou bola... Muito melhor do que todos nós. Mas como Garrincha era do povo, gostava de outra bebida que não era exatamente a água, ficou marginalizado.”

Neymar: "Claro que é sempre uma honra ser comparado ao Pelé, mas meu pai já me disse uma vez que meu futebol é mais parecido com o do Garrincha."

Rivellino: Para Roberto Rivelino, titular do time tricampeão mundial em 1970, Mané foi melhor que o Rei em Mundiais.


Como um "plus", ainda vale o que o site da FIFA diz sobre o anjo das pernas tortas, nesse LINK.

Portanto alvinegro ou torcedor de outro clube, nada de exaltações. O que Van Persie disse é muito importante por manter viva a memória do maior jogador de futebol que já existiu, mas de forma alguma deve ser encarado como polêmica, e sim como mais uma declaração. Trouxe apenas alguns indícios dos muitos que estão espalhados de que no Botafogo de Futebol e Regatas, jogou o maior.

domingo, 8 de junho de 2014

Ele merece - Por Daniel Accioly



Ídolo: s.m. Figura, estátua que representa uma divindade que se adora.
Pessoa à qual se prodigam louvores excessivos ou que se ama apaixonadamente: ele é o ídolo da juventude.
Diz-se de certas figuras que desfrutam de grande popularidade (artistas de cinema, cantores populares, jogadores de futebol etc.).

Optei por escolher iniciar o texto com o fragmento acima apenas por lembrar que o conceito de ídolo pode ser difuso, sobretudo para os mais jovens, mesmo que seja sabido através dos relatos históricos que por nosso clube passaram atletas como Heleno de Freitas, Garrincha, Nilton Santos, Jairzinho e tantos outros. Acompanho o Botafogo há 25 anos e vi em raros momentos brotar o sentimento de reciproca idolatria entre nossa torcida e um atleta. E quando aconteceu, aconteceu por um motivo muito simples, que transcende questões técnicas ou táticas. Os ídolos das ultimas décadas optaram por vestir a camisa da instituição Botafogo, e não a da equipe Botafogo. E se existe uma corrente que diz que de forma alguma Sebastian Abreu foi ídolo, sugiro que daqui há alguns anos seja feito o seguinte teste, muito simples: Basta sair por aí, identificar botafoguenses e dizer para para os mesmos o nome "Loco Abreu". Improvável que o resultado de parcela mais que significativa não seja um imediato sorriso. Caso você seja o entrevistador e queira confirmar o resultado coletado, experimente dizer  "Dodô" em seguida...

Abreu foi contratado em 2010 e por pouco não vai para o Santos. Desconhecido aqui o Brasil, possuía a credencial de jogador da seleção uruguaia e colecionava algumas atuações de destaque em clubes como Nacional (URU) e River Plate (ARG). Porém, em sua passagem anterior pelo Brasil, jogando pelo Grêmio, nenhuma impressão significativa deixou a ponto da torcida alvinegra ter algum material para embasar esperança. As contratações anteriores dos atacantes estrangeiros Escalada e Zarate ainda repercutiam no imaginário alvinegro, e a estréia do camisa 13 foi logo no emblemático 6 x 0 contra o Vasco. Substituído no intervalo, Abreu parecia apenas mais um personagem fadado ao insucesso, vivendo um sonho de verão no Botafogo. Porém, no mesmo carioca desse triste placar, El Loco colocou nosso maior rival de joelhos, de uma forma que você sempre vai lembrar, seu filho vai lembrar, seu neto vai saber e seu bisneto vai ver.

Em sua passagem, Abreu conseguiu elevar a auto-estima do clube e da torcida, apesar de que seus feitos foram apenas semente para um clube que ainda se vê gordo e feio quando de frente para o espelho. Em 25 anos de Botafogo, só consigo citar Túlio como outro que conseguiu vestir a camisa da instituição e causar esse frio na barriga do ranzinza por natureza (com toda razão) botafoguense. Tal análise não quer dizer que outros jogadores não tiveram passagens de destaque. Por aqui, vi jogadores do mais alto gabarito como Bebeto, Dodô, Seedorf, entre outros. Nenhum dos citados vestiu a camisa da instituição, mas serão encontrados nos registros históricos. O registro histórico de El Loco merece um volume próprio.

Sebastian Abreu já está nos últimos momentos como jogador. Não conseguiu se manter no grupo de Oscar Tabárez e desfruta do frisson de ser jogador no Rosário Central. Apesar de tudo isso, imagino o uruguaio no Botafogo em breve. E ele vai querer.

Por isso, quem puder (e quiser) prestigiar essa emblemática figura, deve comparecer ao evento "Loco Convida - Eu quero é ver o Loco!" em Copacabana nessa terça-feira, dia 10/06. Uma grande homenagem com diversos eventos dentro de uma programação que será iniciada às 19 horas. De acordo com a organização, restam poucos convites.

Pode ser que Sebastian Abreu não tenha sido craque, mas uma coisa é incontestável: Ele merece.


A programação do evento contará com as seguintes atrações:

18h30 - Loco Responde (coletiva para imprensa, com participação de torcedores sorteados)
19h - Exibição de gols no telão comentados pelo craque
19h30 - Entrega de Diploma da Honra da Torcida Alvinegra
19h45 - Sorteio de brindes autografados
20h às 22h - Seção de autógrafos e fotos
22h em diante - Música com DJ

Serviço:
LOCO CONVIDA – EU QUERO É VER O LOCO!
Local: Café Del Mar (Av. Atlântica, 1910, próximo a esquina da República do Peru)
Ingresso: R$ 50,00 por pessoa com direito a camisa-convite de recordação e uma bebida (cerveja ou refrigerante)
Vendas através do site: http://www.ingressocerto.com/lococonvida ou nos seguintes pontos de venda:
Banco de Areia - Riosul
South - Barra Shopping
South - Centro (rua do Ouvidor 164)
South – Boulevard Rio Shopping (antigo Shopping Iguatemi)

*Será cobrada uma taxa de conveniência para as compras on line.
*As vendas se encerrarão às 10h do dia 09.06 (segunda feira)
*Os convites adquiridos serão trocados pelas camisetas-convite, exclusivamente no local do evento, nos dias 09/06 (das 12h às 19h) e 10/06 (das 9h às 18h).
* Crianças acompanhadas dos responsáveis poderão permanecer no local até às 22h.

Informações: www.facebook.com\lococonvida





segunda-feira, 2 de junho de 2014

O dia em que ganhamos do melhor time do mundo - Por Daniel Accioly



Teresa Herrera. Se você não viu o que aconteceu lá, com certeza ouviu falar quase que como uma lenda.  Uma história que apenas quem tem na casa dos 30 anos ou mais viu, e que nem os registros que estão espalhados pela internet explicam direito. Ainda bem que eu vi!

Mas afinal, do que se trata tal torneio?

Teresa Herrera, ou melhor, Troféu Teresa Herrera é uma competição que apesar de não fazer parte do calendário oficial da FIFA, é considerado um dos grandes torneios de clubes do mundo em função da importância dos mesmos que o disputaram desde sua primeira edição, em 1946. Com jogos sempre  no estádio Riazor, na cidade de Coruña (Espanha), o Troféu presenciou grandes confrontos entre grandes equipes e craques mundiais, como Pelé, Garrincha, Eusébio, Cruijff, Di Stéfano, Kaká, Del Piero e... Túlio! O torneio reúne grandes equipes europeias e volta e meia alguma equipe sul-americana (geralmente brasileira) recebia a honraria de participar. Nosso glorioso clube participou duas vezes, em 1959, quando perdeu para o Santos por 4 x 1 e em 1996, que merece um detalhamento, simplesmente por termos levado a melhor em cima da melhor equipe do mundo na época.

Em 1996, o Deportivo La Coruña convidou Botafogo (Brasil), Juventus (Itália) e Ajax (Holanda) para bater uma bolinha. Com formato mata-mata, o emparelhamento colocou a equipe da casa contra o Glorioso, enquanto a Juve, que seria campeã mundial naquele ano,  teria pela frente o Ajax, campeão mundial do ano anterior. O Botafogo era o atual campeão brasileiro, mas estava passando por reestruturação depois do desmanche parcial do elenco, com as sentidas partidas de jogadores como Donizete, Beto e Sergio Manoel.

No primeiro jogo, o Glorioso venceu de virada a equipe da casa, com gols de Túlio e Bentinho.

Deportivo: Kouba, Armando (Alfredo), Bonnissel (Nando) e Naybet; Djukic (Maikel), Mauro Silva, Paco, Manjarin (Viqueira) e Madar; Martins e Beguiristáin. Técnico: John Toshack Botafogo: Wagner, Wilson Goiano, Wilson Gottardo, Grotto e Jefferson; Souza, Otacílio, Marcelo Alves (Alemão) e Bentinho (França); Sorato (Mauricinho) e Túlio (Zé Carlos). Técnico: Ricardo Barreto. Observação: Alemão foi expulso no 2º tempo. Gols: Beguiristáin (DEP), Túlio e Bentinho (BOT).

Do outro lado, a Juve triturou o Ajax por 6 a 0. No elenco da Juve, jogadores bem medianos como Zidane (que não teve o privilégio de nos enfrentar na final), Deschamps, Del Piero, Vieri e Amoruso... Na decisão, ocorreu um fato peculiar, fato esse que sinto que sou o único a lembrar com lucidez. O Botafogo não usou a camisa do La Coruña por não possuir uniforme reserva. Isso é uma versão errada que de tanto ser repetida, acabou se tornando um fato jornalistico consumado. Mas eu lembro como se fosse ontem, o senhor Leo Batista explicando, enquanto o VT mostrava o Gottardo (com quem pude confirmar o fato) gesticulando com o árbitro. O que ocorreu é que o senhor árbitro Antonio Jesús López Nieto não aceitou o uso da camisa reserva do Botafogo, argumentando que a mesma, apesar de ser a reserva, ainda sim era muito parecida com a da Juventus. E até era, considerando o padrão europeu, onde geralmente a camisa reserva não utiliza as cores tradicionais do clube (tendência que ainda engatinha no Brasil). Veja abaixo e tire suas conclusões:


E então o Botafogo trajou a camisa do La Coruña, fazendo merchand de graça para Feiraco e Umbro. Fato de tal natureza  que já aconteceu em outros momentos da história do futebol mundial (como quando a seleção da França jogou com camisas listradas em verde e branco na Copa de 78),  mas dificilmente ocorreu em uma final. Algo do gênero seria inaceitável nos dias de hoje, época na qual a disputa entre as marcas fornecedoras de material esportivo é mais acirrada do que a dos próprios clubes em campo. Mas o fato é que assim foi.

No jogo, uma partida muito disputada, onde qualquer vacilo resultava em gol. Mas tinhamos Túlio Maravilha. Após o empate de 4 x 4 , decisão por penaltis, onde brilhou a estrela do herói pouco homenageado Wagner. Melhor do que contar de forma descritiva, compartilho o video abaixo. 


Botafogo: Wagner; W. Goiano, Gottardo, Grotto, Jefferson, Souza, Otalicio, M. Alves (M. Aurelio), França (Ze Carlos), Tulio, Sorato (Mauricinho). Juventus: Peruzzi; Moreno Torricelli, Ferrara, Paolo Montero, Sergio Porrini, Deschamps, V.Jugovic, Di Livio, Amoruso, Del Piero, Vieri.
Gols: Túlio (3) e França (BOT), Vieri e Amoruso (3) (JUV).
Cobranças de Penalti: Jefferson (Não), Wilson Goiano (Gol), Wilson Gottardo (Gol) e Souza (Gol) (BOT)
Amoruso (Não), Di Livio (Não) e Jugovic (Não).

Uma história dentre tantas do nosso clube, que vai a Europa e toma o troféu da Juventus, mas perde troféu no Maraca para o Juventude...

E antes que eu me esqueça, tal história não existiria se não tivéssemos Túlio Maravilha, que fez aniversário ontem. Parabéns, eterno ídolo!

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Silêncio no Engenho de Dentro - Por Daniel Accioly



Ele já foi motivo de orgulho, já foi questionado em função da baixa frequência dos torcedores  (de todos os clubes que o utilizaram, vale ressaltar) e hoje está esquecido no bairro do Engenho de Dentro, ofuscado pela euforia da Copa e do Maracanã reluzente. Não se fala mais na imprensa sobre o Engenhão, tampouco a diretoria se prontifica a se posicionar sobre a situação de momento. Quando pouco se fala, é sobre a utilização da estrutura externa como espaço de treinamento para as equipes do mundial. O tema interdição, um dos maiores trambiques desportivos dos últimos 20 anos, prossegue em segundo plano enquanto inacabados estádios da Copa são inaugurados.

Apesar da divergência entre os laudos da empresa alemã SBP e o da canadense RWDI, as fotos dos pontos da estrutura apontados como mais críticos são incontestáveis. Contestável é a interdição do estádio no mesmo momento da reinauguração do Maracanã, além da  neutralidade do presidente em relação ao tema. Assumpção, filiado ao PMDB, aparenta aspirações políticas e por isso foge do tema como o diabo da cruz. Enquanto isso, o clube passou de único a conseguir manter as contas em dia para o dramático cenário atual de atraso de salários. A prefeitura suspendeu a concessão ao clube e está arcando com a reforma, mas o dinheiro perdido dos espaços publicitários, renda de jogos e do lendário naming rights jamais será recuperado. 

A previsão mais otimista considera a resolução total para novembro desse ano. A mais pessimista, aponta para o ano de 2015. Mas qual seria o espanto se não víssemos a obra finalizada antes dos Jogos Olímpicos? Quem passa pelo bairro com frequência sabe que obra mesmo, só de uns meses para cá. Sabemos que se a concessão do Engenhão tivesse sido concedida à outro clube da cidade, aquele que faz a imprensa sorrir, até o Hulk seria providenciado para segurar as estruturas em risco. Por isso alvinegro, não se esqueça do Engenhão.






sexta-feira, 23 de maio de 2014

O Botafogo e o "resgate dos valores" - por Daniel Accioly



Primeiramente, gostaria de agradecer ao João Ferreira a oportunidade de poder escrever sobre uma de minhas paixões. Paixão que me maltrata, mas que não expira.

Recentemente, o jogador Emerson Sheik deu uma declaração na qual ele fala da necessidade do clube de "resgatar valores". Fiquei com isso desde então na cabeça. Fiquei imaginando no que um atleta que se apresenta para jogar no glorioso pensa sobre vestir essa camisa. Qual o valor agregado para carreira de um jogador passar por General Severiano? "Até que enfim cheguei a um clube grande!", pensaria a maioria? "Agora, outros clubes poderão me ver e daqui a pouco, pego a ponte aérea!", seria recorrente na mente da turma? Ou ainda "Pior que tá não fica!"?

Dos 12 clubes considerados grandes no futebol brasileiro, o Botafogo é o que possui maior jejum de títulos representativos. Nosso último título fora dos limites do estado foi o Rio-São Paulo de 1998. A final do brasileiro de 1992 talvez tenha sido o último momento no qual o clube foi considerado de forma incontestável  favorito em uma final (sem considerar os cariocas e suas nebulosas circunstâncias). Digo isso, considerando uma final perante uma equipe grande, pois em 1999, ser favorito não chegava a ser um grande mérito (talvez tenha até atrapalhado). Onde o clube perdeu o fio da meada?

Tive o grande privilégio de certa vez bater um longo papo com Wilson Gottardo. Ávido por curiosidades de 95, perguntei sobre como a equipe se preparou e qual foi o diferencial daquela conquista. Dentre tantas curiosidades e momentos de tensão que ele relatou (como por exemplo a garfada contra o Palmeiras), Gottardo disse que o diferencial daquela equipe era que já era sabido que eles sairiam de campo com a vitória, mesmo antes do juiz iniciar a partida. E não por uma questão de menosprezo pelo adversário, mas por uma questão de completo comprometimento, não com o Botafogo apenas, mas sobretudo com suas carreiras. Com essa mentalidade, o time trilhou o campeonato, sendo campeão com 14 vitórias, 9 empates e 4 derrotas. Gottardo revelou ainda que o grupo, mesmo sem saber como ficaria para 96, tinha um pacto para vencer a Libertadores. Mas o desmanche do time e a pancadaria no Sul impediram o feito. Ah, e isso tudo com meses de salários atrasados e estrutura demasiadamente precária. Hoje, o Botafogo tem um estádio (do qual todos estamos saudosos), estrutura de treinamento compatível com o padrão nacional, além de departamento médico considerado um dos melhores do país. Então porque brigar para não cair já nos parece um destino consolidado?

Sheik é um jogador nos moldes dos anos 90. Com excelência técnica incontestável na mesma proporção das polêmicas associadas à sua imagem. Mas é inegável que ele foi sóbrio nesse comentário e tocou num ponto onde o Botafogo empobreceu, se apequenou. No ano de 2013, Seedorf parece ter tentado algo parecido com o resgate que precisamos, mas talvez por ser pragmático além do que o boleiro brasileiro suporta, tenha sofrido resistência determinante. 2014 calou àqueles que insistiam em vender a ideia de que nossa torcida é frágil e ausente. Essa mesma torcida sabe que daqui em diante, estaremos na berlinda até a última rodada e que qualquer plano do tamanho do Botafogo será só para o ano que vem. Que chegue então o ano que vem, quem sabe com algum valor resgatado. E que sobre 2014 eu queime a língua!

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

"De onde menos se espera, dali é que não sai nada mesmo'' - Uma diretoria vergonhosa e o reflexo de tudo isso. - por João C S Ferreira

Eu pensei que morreria antes de ver qualquer declaração, de diretores e jogadores do Botafogo, criticando a torcida. Mas em 2013 vi e li isso diversas vezes.
A covardia de tornar o torcedor em bode expiatório é tamanha, tão injusta, que, somente por este fato, estes dirigentes e jogadores não deveriam pisar mais em General Severiano.
Deveriam dar graças a Deus por ainda haver uma torcida que acredita, respeita a instituição,viaja pelo Brasil para ver o time de perto, discute entre si, briga, argumenta, que vive o preto e branco depois de sucessivos anos de humilhação diante de adversários, mídia, e tudo mais.
Eu não conheço outro tipo de torcedor que conseguiria passar pela sequência de absurdos que o botafoguense vem passando, principalmente de 2007 até agora. Mas podemos ir até a famigerada final da Copa do Brasil de 99, aonde, mais uma vez, desonraram nossa grandeza, e foram incapazes de fazer um gol no Juventude! A culpa foi da torcida? Também no ano de 2007, contra o São Paulo, no Maracanã,mesmo perdendo de 2x0, se ouvia "E ninguém cala..." das arquibancadas a plenos pulmões a culpa foi da torcida? Os exemplos podem passar por Avaí, Portuguesa e outros no Engenhão lotado.

E mesmo com esta sequência cruel de anos de sofrimento, todo jogo do Botafogo é uma manifestação do fanatismo de seu torcedor, do quão alto ele pode gritar, 5.000 alvinegros calam 50.000 adversários sempre.
E não espero esta consciência dos jogadores, funcionários extremamente bem pagos, sobre esta história e nosso comportamento fiel. Agora, da diretoria, em tese nossos representantes, eu não só espero como exijo! É um ultraje o presidente jogar o peso do gramado para os cimentos da arquibancada.
É um mandatário limitado, que caiu de paraquedas em General Severiano, não possui a grandeza que o Botafogo necessita por natureza. Ele poderia ter essa auto-avaliação, mas, não, ele opta pela arrogância, pelo chopp no Baixo Gávea com ar de sábio após conquistas de campeonatos estaduais! Achando que cumpriu seu papel. Ele ergue a taça no Engenhão, em 2012, salvo engano, à frente dos jogadores, numa clara demonstração de vaidade exacerbada, ego inflado. E quando o Botafogo perde? Aonde ele está? E quando o maior ídolo desta instituição falece e o mesmo não volta para o Brasil?

Numa semana em que perdemos nossa Enciclopédia, ficando mais pobres em vocabulário, em gentileza, em sabedoria, em futebol e amor pelo Glorioso, o maior rival, que nos humilhou nas quartas de final, é campeão (Neste mesmo jogo, em que perdemos de 4x0, nosso presidente entrou no vestiário e deu parabéns à equipe! Ele esquece que é um representante de milhões de alvinegros. Ele se perguntou se estes milhões de torcedores dariam congratulações após aquele vexame?), nesta mesma semana infeliz, o time vai jogar contra o Coritiba, potencial rebaixado, precisando ganhar, e se arrasta em campo, parecendo soldados após um dia extenuante de batalha. Uma vergonha! Mais uma!
Mas para eles isso não basta, precisamos ouvir do zagueiro que ''conta com a torcida'' e por aí vai.
Vão à merda! Jogadores e dirigentes.

Este campeonato brasileiro está tão medíocre, que mesmo tropeçando há um bom tempo, ainda temos chances de nos classificarmos para a Libertadores - o que nos traz alegria e dinheiro, mas não um título. - e bastava uma vitória e um empate, em qualquer época do Brasileirão, para já estarmos satisfeitos com a vaga. Mas deixamos a vaga no ar, nos equiparando a Goiás e Atlético-PR!?
Como os cartolas alvinegros e jogadores gostam de culpar a torcida, e apontar o dedo no rosto de cada um, eu pergunto a eles:
Vocês tem memória? Façam uma conta simples: Lembrem de jogos que tomamos gols inadmissíveis aos 49'' do 2o tempo - uns 9 pontos... - lembrem de Bahia e Ponte Preta - 6 pontos - lembrem do Goiás - 3 pontos - e por aí vai numa pequena passagem de absurdos que vocês, dentro de campo, com ou sem torcida, dentro ou fora do Rio, protagonizaram!!! Vocês. Olhem pro espelho, tenham vergonha na cara, sejam homens o suficiente para se culparem, pensarem além do dinheiro, da noite, da farra, do ego, da vaidade e terem consciência de que este ano, como inúmeros, corremos o risco de ir para o ralo por falta de competência. Em bom português, por falta de vergonha na cara.

Até domingo, aonde estarei na arquibancada fazendo meu papel, sem o poder de botar a bola pra dentro do gol, e vocês estarão no gramado, vestindo a camisa sagrada do Botafogo, o sonho de muita gente que o faria de graça. Garantam essa classificação e, mesmo conseguindo, peçam desculpas à torcida. Porque não era necessário todo esse sofrimento por uma vaga na Libertadores. Não neste campeonato, não nestas circunstâncias.

Uma dia o Botafogo voltará à sua grandeza de origem.
por João Cunha Soares Ferreira

Um p.s.: Talvez a mais bela entrevista de Nilton: https://www.youtube.com/watch?v=9Ll7zIMd_HY